10. Modos de narrar a negritude: O rap e o slam surdo na cena contemporânea
Palavras-chave:
Rap. Literatura Comparada. Slam surdo.Resumo
Este artigo, ancorado nos estudos culturais e pós-coloniais, analisa comparativamente o rap e o slam surdo como práticas artísticas e políticas produzidas em contextos de desigualdade social e racial. Parte-se da compreensão da arte como espaço de elaboração simbólica da resistência e da afirmação identitária de grupos historicamente marginalizados, conforme Hall (2005) e Gilroy (2001), destacando o papel da linguagem, do corpo e da performance na produção de contranarrativas. O estudo focaliza o rap “O mundo é nosso”, de Djonga e BK, e o slam “Negro surdo”, de Edinho Santos, obras que tematizam a experiência negra na sociedade brasileira contemporânea e denunciam os efeitos do racismo estrutural, da violência simbólica e da exclusão social. A análise evidencia aproximações e tensões entre essas expressões, considerando suas especificidades linguísticas e sensoriais, sobretudo no caso do slam surdo, em que a língua de sinais tensiona regimes normativos de linguagem e literatura. Argumenta-se que, embora situadas em modalidades distintas, ambas as produções articulam discursos convergentes de resistência, pertencimento e construção de identidades coletivas, contribuindo para ampliar o campo da literatura comparada em diálogo com os estudos da performance, os estudos culturais e o pensamento pós-colonial.